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postado por Hellz. em 19 agosto 2013

De dez em dez - Neverland











Ou eu fui uma criança muito visionária ou meio tã tã das ideias: aos dez anos eu me deparei com a minha primeira crise existencial (não que, na época, eu soubesse do que se tratava uma crise existencial propriamente dita).

Simples, eu não queria crescer. Uma síndrome à la Peter Pan me acometeu e eu me sentia sufocada por não ter para onde correr - e me esconder embaixo da cama não iria adiantar MESMO. Eu não tinha a máquina do tempo do McFly de De Volta Para o Futuro, nem pó de pirlimpimpim, nem o vira-tempo da Hermione como aliados. Ferrou. Estava sozinha nessa batalha e ela era só minha.

 Pra mim, tudo aquilo soava quase como um sacrifício onde eu fora condenada sem nem um julgamento em defesa do réu. Na minha cabecinha de dez anos de idade, eu sonhava com o benefício de escolha entre duas opções. Onde eu, mesmo diante da minha pouca idade, tivesse liberdade de decisão sobre o que iria acontecer comigo: permanecer na infância ou seguir ao caminho, até então, desconhecido. Entretanto, de acordo com a lei natural das coisas só existia uma via de acesso: crescer, envelhecer, evoluir. E hoje eu sei que é bom que as coisas sejam assim mesmo, é o normal, é o natural...Ah, dane-se. A GENTE TEM ESCOLHA NESSA PORRA?  A quem eu quero enganar? .-. (Tá, eu confesso. Ainda não gosto taaaanto assim desse mimimi de envelhecer. Mas esta parte fica para a crise dos vinte).

 Eu desejava todos os dias que a Terra do Nunca existisse e nem era pra poder conhecer a Sininho, juro. Meu único interesse era a proposta inicial daquela terra distante que fica lá nas estrelas: parar de envelhecer IMEDIATAMENTE. Cada dia em que o tempo passava e a Terra do Nunca não surgia era um dia desperdiçado. Quanto antes aquilo parasse, melhor! Quanto mais jovem, mais eficaz!

Olha, eu tentei não seguir o caminho convencional: brincava de boneca mesmo sem sentir vontade, fingia não entender as coisas que já possuía perfeita compreensão, procurava trejeitos mais adequados e infantis para o meu, talvez, personagem. Eu tinha a estúpida ideia de que se eu me camuflasse ninguém perceberia e eu estaria a salvo: eu poderia me tornar o Peter Pan de saias afinal!  Eu estava disposta a defender a minha inocência custe o que custasse! Mas, aos soares do relógio, percebi que todo meu desespero fora em vão. Todo meu teatro não valeu a pena. Carregar uma boneca de pano a cada esquina vomitando de forma implícita as palavras “EU SOU CRIANÇA, VOCÊ PODE VER!” pra quem estivesse por perto não era o suficiente.

Por fim, talvez de forma natural, deixei as coisas seguirem. Ainda queria ser o Peter Pan se houvesse possibilidade. Meio que... “Se rolar, ainda tô a fim, hein? Me liga!” mas já que as coisas pendiam para o outro lado, fui vencida pelo cansaço. Aprendi a ir mudando o foco...


Fui deixando a boneca de pano da Emília de lado.

Fui abandonando a casinha de Barbie que não tinha mais graça

Fui perdoando meus familiares por darem mais atenção aos primos menores.

Fui me interessando por aquele rapazinho de olhos verdes.

Comecei a fazer as unhas. E olha só, elas podiam ser bonitas grandes!

E logo percebi que não era tão mal assim. Que a crise dos dez anos passara e eu tinha sobrevivido com êxito! Eu era forte! Só não sabia que mais dez anos se passariam e a coisa voltaria a ficar feia...



Dez anos depois os demônios acordaram. 




4 comentários:

  1. querida, espera a da meia idade. Ai a gente conversa!!1

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    Respostas
    1. Inaie, já me conformei que terei uma crise a cada dez anos =( HAHAHA
      Beijo,
      Hellz.

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  2. Auhauahua tenho que concordar com a Inaie

    Eu quero muito voltar no tempo com a cabeça que eu tenho hj e vc com a idade que tem hj pode aprender muito com as nossas experiências.
    Aproveite isso, pq na minha época não tinha tantas opções de blogs, de conhecer pessoas que são parecidas ou que têm a ver comigo.

    Kisu!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Verdade! A informação que a minha geração tem é de grande valia quando sabemos utilizá-la! Pelo pouco que tenho sentido nessa vibe blogueira, já saquei que vou absorver bastante a partir das experiências pessoais dos outros!

      Beijo,
      Hellz.

      Excluir

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